Nunca acreditei muito em qualquer coisa relacionada ao amor, ou laços afetivos que mantém um certo equilíbrio mental em nossas vidas quando adultos. Claro que nunca deixei transparecer tal sinceridade e completa falta de fé nesse mundo débil e doente.
Entenda, toda vez que me dispus a acreditar em alguém acabei me arrependendo amargamente. Por que algum dia seria diferente? - O mundo dá voltas... Ouço dizerem; mas nunca acreditei em tal clichê.
Sei que ninguém , além de mim, tem culpa das desgraças que se abatem , sequencialmente, em minha vida, mas gosto de ser precavido, mantendo o mínimo de intimidade possível em uma relação - seja "amorosa", amigável, ou profissional.
Estourei minha cota de romantismo. Deixei-me incendiar á cada fagulha quando deveria apenas ter me aquecido. Amornado.
Sempre considerei-me um homem contido, correto, sempre água fervente - não deveria ter me iludido com chamas que evaporariam minha água, e deixariam apenas um vazio de mim... Como se roubassem algo valioso - valioso não, necessário.
Hoje em dia , não consigo lembrar de como eu era há alguns tempos. Recordo de pouquíssimos momentos em que senti um coração batendo, mais intenso, de vontade. Minha memória andou fazendo uma faxina em setores, apagando alguns detalhes que eu preferia não esquecer - mas que , infelizmente, foi preciso.
Meu foco tornou-se linear e , sobretudo, a única razão para continuar nessa batalha diária entre querer viver e nunca mais acordar.
Existem pessoas que não sabem lidar com magnitudes sentimentais e , bem, com o tempo acabei me tornando uma delas.
Mentiras necessárias já sobrepõe romantismo trivial e desnecessário - como acostumei-me ouvir em vozes de rejeição.